21.9.05

Amor...Educação...


MONTE CASTELO
(Legião Urbana)


Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É só amor, é só amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder
É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor
Estou acordado e todos dormem
Todos dormem todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face

É só amor, é só amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria






Amor ...Educação...






Parece que ao se falar em amor podemos sim pensar em educação. Mas será que é com essa paixão que nossos “mestres” se dedicam a mesma. E nossos educandos serão o alvo principal de nossos educadores, das entidades que se dedicam a transmitir conhecimento? Essas são algumas dúvidas que parecem ultrapassar os tempos, pois, o grande patrono da filosofia, Sócrates, já falava em amor ao saber, a esta arte que é tão desprestigiada por nossos governantes. Hoje vivemos dias de greve, dias de indecisão, onde lutas por melhor remuneração salarial fazem com que professores paralisem suas atividades em uma luta em benefício próprio. Afinal será mesmo preciso amar o saber, amar a arte de ensinar, de trocar saberes para ser um profissional da educação, enfim, para ser um professor? Parece cada vez mais difícil aliar educação com amor, mas pretendo falar um pouco sobre isso.
Como já fora dito nesse texto, o amor ao saber não é algo novo, mas que já vem ultrapassando a história do homem com a educação. Mas no mundo capitalista em que vivemos torna-se cada vez mais difícil essa combinação, pois nossos mestres, professores, que também são pais de família precisam trabalhar quarenta ou sessenta horas aulas para garantir um salário capaz de suprir as necessidades da sua família. Essas pessoas não podem viver no ócio, como no tempo de Sócrates era feito, e dedicar-se completamente a educação. Se assim fosse, talvez tivéssemos mais qualidade em nossas escolas, universidades, e profissionais mais satisfeitos com a arte a qual se dedicaram a pesquisar. Será que o fato de professores estarem sobrecarregados é suficiente para justificar nossos erros, enfim, para tornar até um ato de greve mais importante que o ato de ensinar?
Afinal que língua é essa que precisamos falar para que a educação possa resgatar os seus laços com o amor a arte de ensinar. Penso que nós estudantes e futuros professores precisamos querer essa profissão, essa tarefa de ensinar ou aprender com nossos educandos. Não é possível ser um professor sem que esse se dedique com exclusividade à profissão, ou correremos o risco de um dia desses estarmos em meio a uma greve lutando por salário e não por uma educação melhor. Precisamos falar uma língua só ou muitas línguas para que possamos ser professores qualificados, professores merecedores de respeito, de salários compatíveis com a arte de ensinar e porque não de aprender, pois saber aprender é também uma forma de saber, de prestigiar aquilo que se quer, que se deseja. Creio que esse aprender esteja faltando aos nossos professores, pois educar envolve educadores e educandos juntos, jamais separados.
“Ainda que eu falasse a língua dos homens, e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria”. Penso que na relação educação e educador só irá acontecer algo a partir do momento que este educador demonstrar o seu respeito, a sua admiração, enfim o seu amor a educação, ao conhecimento que a sua arte possibilita. A educação pode ser entendida como um princípio motor para todas as demais profissões, pois é através de um profissional da educação, um educador, que podemos formar médicos, engenheiros, arquitetos, músicos, etc. Com isso creio que na educação não deve existir maiores ou menores educadores, mas sim pessoas que se doam ao ensinar, que permitem uma troca de experiências.
Prefiro acreditar que a educação seja sim um predicado do amor, uma dessas qualidades que merecem ser polida, tratada com carinho, com empenho, diferente do cotidiano, daquilo que fazemos despercebidamente, sem doação, sem dedicação. Os professores de hoje precisam sim ser bem remunerados, mas antes precisam ser merecedores, precisam querer ser professor, ser um educador e não mais um entre tantos “educadores”. Essa é uma profissão que exige o melhor de cada um, seja educando ou professor, devemos ser melhor a cada dia, melhor do que sempre fomos ou que possamos ser. Não há lugar na educação para tentativas, mas sim para pessoas que querem fazer acontecer, sejam “simples” alfabetizadores ou “grandes” teóricos, precisamos amar essa arte de ensinar. Precisamos e devemos ser mais do que simples educadores precisamos e devemos ser grandes educadores.







































1 Comments:

Blogger Prof. Ronai said...

Ronison, para muitos leitores o fato de ficar sem explicacao porque uma letra de musica popular usa um soneto de Camoes vai atrapalhar. A menção ao "falar linguas" tambem é problematica, pois esta expressao está ligada à contextos cristãos. Precisamos debater melhor essa abordagem.

quinta-feira, setembro 22, 2005 9:47:00 PM  

Postar um comentário

<< Home

web site hosting count: