19.9.05

Crença na obra de Machado de Assis.

Machado de Assis, em suas obras aborda inúmeros temas filosóficos. Faz reflexões profundas de conceitos de filosofia através de sua arte. Entre inúmeros de seus contos com conteúdos pertinentes à filosofia escolhi “A Cartomante” para analisar o conceito de crença. Para tal partirei da análise kantiana de tal conceito.
Primeiramente relatarei brevemente o conto machadiano. Machado explora nessa obra, como em muitas outras, a traição. Dois grandes amigos (Camilo e Vilela) se reencontram depois de determinado tempo e reatam uma antiga e forte amizade.Vilela, já casado, abre as portas de sua casa para Camilo. Porém, devido ao grande relacionamento que os três conservam a Rita (a mulher de Vilela) acaba apaixonando-se pelo amigo de seu marido. O conto se inicia quando esta vai a busca de uma cartomante para descobrir se seu novo amor realmente à ama. Tranqüila com a resposta positiva procura seu homem e conta-lhe da experiência que teve. Este, cético desde há muito, acha graça na insegurança da amada.
Dentro de algum tempo, após certo afastamento do lar do casal, Camilo recebe um bilhete, onde Vilela o chama para uma conversa. No caminho, desesperado pelo medo de que o traído tenha descoberto tudo resolve procurar a cartomante de que caçoara. Esta o recebe e lhe diz o quanto sua amante o ama, tranqüiliza-o de que nada de mal acontecerá. Ele sente-se tomado pela fé e vai ao encontro de seu de Vilela. Ao chegar encontra sua amada morta e é assassinado.
Tendo relatado o conto, parto para uma breve análise do conceito kantiano de crença. No “Cânone da Razão Pura” Kant explicita o que denomina crença, e divide-a em convicção e persuasão. Segundo Kant, uma crença pode até repousar sobre princípios objetivos, mas exige causas subjetivas. O filósofo caracteriza convicção como uma crença válida para todos os seres dotados de razão, enquanto persuasão possui seu princípio somente na natureza particular do sujeito, é mera ilusão.
Pode-se perceber que a crença de Rita é infundada, não se pode exigir que ela não creia. Mas sua crença não é comunicável, pois se encontra embasada apenas por princípios subjetivos. Porém o personagem machadiano acaba por ceder a essa crença e é “persuadido” pela cartomante de que seu fim não está próximo. Nota-se que a crença de sua amada é mera persuasão, mas Camilo acaba envolvido por essa persuasão.

2 Comments:

Blogger Mateus said...

Parabéns Patrícia. Gostei muito do que escreveste. Conseguiste ser sintética e objetiva. Relatou bem o conto e permeou a filosofia com simplicidade sem vulgarizá-la. Este seria um bom texto para ser utilizado com estudantes de ensino médio.

segunda-feira, setembro 19, 2005 1:28:00 PM  
Blogger Prof. Ronai said...

Ok, mas ficou uma lacuna importante, pois o conceito kantiano de crença acabou não sendo caracterizado.

quinta-feira, setembro 22, 2005 9:50:00 PM  

Postar um comentário

<< Home

web site hosting count: