8.9.05

E UMA PARTIDA DE FUTEBOL (skank)

Se um extra-terrestre chegasse ao planeta terra e presenciasse uma partida de futebol em um estadio, acharia tudo aquilo uma grande loucura; milhares de pessoas assistindo outras vinte e duas pessoas correndo em um retangulo de grama atras de um objeto redondo cheio de ar em uma disputa ferrenha pela sua posse e os assistentes gritando, pulando, rindo, chorando, etc...; ficaria sem entender nada . Pensaria que estão todos malucos.
Mas para os terraqueos, futebol é o mundo da fantasia. Uma criança por exemplo -especialmente no Brasil - mal se livra das fraldas e o seu primeiro presente que recebe dos pais se for menino é uma bola de futebol. É através da bola que ele coméça a conhecer o mundo. Depois já vivenciado (via midia, televisão) os exóticos prazeres da profissão(jogador de futebol), o garoto sonha com os holofotes da fama, dos grandes estádios, supersaláriosm assédios de tietagem e claro com os sofisticados bens de consumo como carros de luxo, mansões, altas contas bancárias, etc...
O futebol é praticado em "peladas desinteressadas'' e sem compromisso. Basta ver as crianças e jogar futebol para perceber por que o visível fascínio pela bola; o movimento fluindo, a felicidade estampada nos rostos, a cooperação entre os companheiros, a competição, as comemorações, a paixao pelo que estão praticando, a disciplina, o compromisso. As crianças adoram jogar para experimentarem atraves do futebol uma alegre forma de viver; elas desenvolvem a criatividade, inclusão social e integração, para além de oferecerem a elas a oportunidade de desenvolverem suas habilidades e fazer amizades e se divertirem. Os Ronaldinhos podem servir de testemunha.
Uma vez um antropólogo escreveu que os campos de futebol no Brasil são as únicas áreas de terra respeitadas pelos invasores. E nisso ele acertou em cheio; basta olhar nas periferias das cidades. Tudo é ocupado, menos a área destinada as partidas de futebol. Aquele lugar se torna uma espécie de santuário. Coitado de quem resolver construir sua moradia por onde se apresentam os atores da bola. Trata-se de um fenômeno social. Ninguém precisa de soldados, nem de policias armadas e muito menos de decisões judiciais pra bloquear as invasões dos campinhos de futebol. Basta ter goleiras no terreno que o local se torna sagrado.
Um trabalhador no país, não vê a hora de chegar o dia em que seu time do coração vai jogar. Passa a semana inteira trabalhando; torna-se uma máquina, um robô ambulante. Mas no momento em que vai ao estádio e vê seu time entrar no campo, é como que todas as agruras do dia-a-dia sumissem em um passe de mágica; é a sua liberdade; ainda mais quando o seu time marca um gol. Gol esse que é a coisa mais bonita no futebol. Não são os troféus, os prêmios em dinheiro; até as crianças sabem disso.
Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol? Desde a infância esse sonho é perseguido. Mesmo adulto a imaginação se torna fértil. O sonhador projeta-se para o meio do campo e ve-se no lugar do seu ídolo sendo assistido por milhares de pessoas no mundo. É como se fosse um verdadeiro deus.
A popularização no Brasil foi acompanhada foi acompanhada pela sua institucionalização e profissionalização o que permitia a sua prática para qualquer pessoa (geralmente o homem) em qualquer lugar do país, como também a transformação em ídolo de jogadores que esperavam não somente uma ascenção social mas também um reconhecimento coletivo enquanto plenamente brasileiros.
Como disse Fátima M.R. Antunes ''o futebol é um fenômeno social de grande importância envolvendo uma rede de relações sociais e de interesses e às vezes mais e as vezes menos divergentes''.
Sendo assim, o futebol não é um desporto para as elites como o hipismo, tênis; está aberto a todos independentemente do tamanho, da forma, da cor, da raça, religião. É uma verdadeira democracia desportiva que oferece valores educacionais, beneficios a saúde (fisico-mental), oportunidades sociais e valores de entre ajuda.
Se o futebol é lazer e profissão, isso não acontece em sua função de sua dimensão e espetáculo. Tanto os jogadores amadores como profissionais são os sujeitos e atores de um espetáculo grandioso; são participantes diretos do espetaculo e os torcedores via identificação com os jogadores tornan-se também sujeitos simbólicos do espetáculo ou dele participam indiretamente.
Há de se destacar ainda, a relação dialética entre o jogador em ação, o espectador (estádio) e hoje em dia principalmente o telespectador.
Enfim, existe uma mobilização de afetos, emoções e atitudes que correspondem a espectativas criados pela repetição contínua do próprio evento futebolistico, o que se acentua quanto o ''time do coração'' está jogando.

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