8.9.05

A formação cultural de um povo pode começar pelas lendas?

As lendas e os contos contribuem para a formação cultural de um povo na medida que edificam uma maneira de viver de determinadas pessoas na sua moral ou na sua forma de agir através dos hábitos, costumes e pela linguagem pitoresca da região.
A lenda ´´O Negrinho do Pastoreio`` aborda situações paradigmáticas e fantásticas que, muitos gaúchos experimentaram em seus conflitos existenciais, e com isso, tem grande influência na formação cultural do povo gaúcho. O autor da lenda, Simões Lopes Neto, tem destaque na literatura brasileira porque soube retratar com grande fidelidade o regionalismo gaúcho nos seus contos e lendas.
A importância da lenda tem consideração no sentido de relatar e destacar fatos históricos e míticos que pessoas relataram no decorrer das épocas e realçam a tradição cultural que permanece nos dias de outrora. Muitas pessoas afirmam que vivenciaram ou se depararam com fatos são descritos na lenda tal qual, por exemplo: ´´ ver uma tropilha de tordilhos pela noite liderado por um cavalo baio montado por um Negrinho`` ou encontrar algum objeto perdido ápos ter feito preces ao Negrinho que é protegido pela virgem ´´Nossa Senhora``.
A linguagem pitoresca, típica de um região, usada no relato dos fatos originam uma forma de expressão e crenças que preservados, formam a identidade cultural das pessoas e de um povo. Para ilustrar o regionalismo destaco trechos da lenda ´´O Negrinho do Pastoreio´´.
´´...A este, não deram padrinhos nem nome, por isso o Negrinho se dizia afiliado da Virgem , Senhora Nossa, que é a padroeira de quem não a têm...``
´´... A cara dele vinha corcoveando como touro de banhado laçado a meia espada...``. ´´... o trompasso da perda das onças tinha arrebentado a alma...``.
´´... mandou amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe uma surra de relho``. ´´.... como já era noite o estancieiro mandou atirar o corpo do Negrinho na panela do formigueiro``.
´´... O negrinho, de pé e ali ao lado o baio e ali junto, a tropilha dos tordilhos``.
Percebemos então, nas citações, o destaque dado a palavras usadas na linguagem tipica tradicional dos gaúchos e da definição de um cenário de campanha. A lenda permace no imaginário do povo gaúcho por que trata do dualismo entre o estancieiro - patrão - e o peão, entre o cavalo bravo e o domado, entre o autoritarismo e orgulho do patrão em repúdio ao peão que é o seu servidor e que deve sempre servi-lo bem.
Portanto, a filosofia não deve desconsiderar a influência que as lendas e as tradições regionais possuem na formação de contextos de saberes pois, a linguagem usada pelo povo reverenciadas em lendas, contos e mitos, denota que esse povo possuem crenças e fé e que através da liberdade e do trabalho formaram a sua identidade.
Por fim, a origem de um povo, moral e politicamente, está associado as suas crenças, que o academicismo deixa de lado, muitas vezes, acarretando em grande perda de valores de seus alunos, tendo em vista, que as crenças populares em festas de padroeiros, dialetos vão se estagnando e perdendo aos poucos importância na formaçao da sociedade desencadeando em grande perda de identidade e crises existencias dessas pessoas. Isto percebemos claramente em corredores de universidades pessoas falando coisas do tipo: ´´fulano é um bronco, veio do interior, escuta como ele fala...``, ou ´´usas essas roupas esquisitas´´. Mas, muitas vezes, essas pessoas se sentem a vontade ou foram acostumadas a se vistirem de tal forma, ou mesmo quem veio do interior cultua seu dialeto tendo, com isso, conhecimento e capacidade de falar mais de uma lingua, que sabemos bem é importante no mundo acadêmico.

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