1.9.05

A greve' tem apoio do MEC!

Eu mesmo, como diria Mestre Guina, continuo na minha, e não vejo uma greve boa para se fazer. Essas que vem sendo feitas nos últimos anos, em nome da defesa da universidade, quem quiser chamar de “greve” e de “defesa”, que chame. Afinal, como dizia a velha comendo sabão, “é ruim, mas é queijo!” Quando me cobram alternativas para o movimento, é difícil que o cobrador preste atenção minha pergunta de troco: alternativas para o quê? Para o movimento docente ou para a defesa da Universidade? Se é para o movimento docente, sem auto-crítica, fica difícil.
Sou pessimista. Ainda está para nascer o camarada que vai lhe fazer a autocrítica, como na novela do Carlos Semprum Maura. O movimento pouco se movimenta - "fora-o-da-vez!" - e não há nenhuma alternativa de reconstituição da capacidade de interlocução à curto prazo, prisioneiro que estamos da retórica fácil de mandar para casa o presidente-em-chefe.
Para a defesa da Universidade? Aí é mais fácil achar um rumo: em primeiro lugar, vamos parar de ser incoerentes. Dissemos, durante anos, que o ensino, a pesquisa e a extensão eram indissociáveis. Muito bem. Quando a freguesia ficou convencida, zelosamente mostramos, por meio de greves intermináveis (que nada mais são do que o adiamento das aulas da graduação) que essas atividades são perfeitamente dissociáveis. Que tal uma greve de férias? Hein? Cancele as férias! Vinte dias de trabalho voluntário! Isso funcionaria melhor como protesto.
Acho que “greve” não é um termo sortal. Por mais que nossas greves tenham se transformado, como dizem alguns, “numa coisa” (e eles estão certos, na medida em que elas cada vez são menos ações e mais eventos), o termo mais parece ter se transformado em um adjetivo. O leitor cuidadoso logo vai encontrar os substantivos que ela qualifica. Isso poderia nos levar a explorar a hipótese de que “greve” seria uma expressão que no nosso contexto sindical funciona como exteriorizadora. Mas isso já seria uma outra conversa, de filosofia da linguagem. Quem sabe o outro blogue explore essa veia?
Esse era um texto originalmente escrito para a greve de 2000. Fui relendo, retocando, voltou ao natural.
Agora se diz: vamos aproveitar a fraqueza do governo. Mas qual governo? O MEC nos vai dar o maior apoio, alguém duvida?

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