24.10.05

O Ensinar Filosofia

O que mais vem sendo discutido, na área da Educação nos últimos anos, é sobre o Ensino de Filosofia no Nível Médio. A partir disso, tentarei abordar questões relevantes, tanto sobre o ensino, quanto os problemas encontrados por professores de filosofia e tentarei mostrar a importância dessa disciplina no ambiente escolar, caracterizando os objetivos dessa disciplina, tanto em relação ao aluno quanto ao professor.
Muitos ao dizerem o que é Filosofia, dizem que é o que os filósofos fazem e logo em seguida indicam textos de Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, entre outros, porém com isso nada se acrescenta as pessoas que nunca tiveram contato com a filosofia. As definições usadas geralmente para descrever a filosofia são muito vagas e muitas vezes vinculadas à formas de misticismo, e esse é um dos problemas que o professor de filosofia tem de enfrentar ao entrar numa sala de aula, o de explicar para seus alunos o que seja realmente a filosofia.
O estudo da filosofia deve ser mostrado não só como uma ajuda ao pensar claramente sobre os nossos preconceitos, mas nos ajudar a clarificar de forma precisa aquilo em que acreditamos, desenvolvendo uma capacidade para argumentar de forma coerente sobre vários assuntos. É neste sentido que Ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos. Faz parte do professor não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo. Por isso, um dos objetivos de um professor de filosofia é oferecer instrumentos aos seus alunos, para assim, poderem pensar por si próprio sobre temas filosóficos, não só fazendo com que eles sejam capazes de explicar o que algumas grandes figuras do passado pensaram acerca desses temas, mas convida-los a pensar, de modo com que cada um deles se torne um sujeito consciente, ativo e autônomo.
O encontro do aprendiz com o filósofo é um momento de busca, onde o aprendiz deve buscar a sua própria satisfação e é esse o meio que o professor de filosofia deve buscar numa sala de aula, sendo ele apenas um símbolo de sabedoria, não ela própria, fazendo com que seus alunos busquem seu próprio caminho. Professor e aluno não se reduzem a um ser objeto do outro, como diz Paulo Freire, um dos maiores transformadores da educação, "quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende, ensina ao aprender...". Não se pode dizer que há validade num ensino (num ensinar), se o aprendiz não tiver condições de recriar o ensinado.
A filosofia se torna pouco estimulante para os alunos por não ter uma finalidade prática muito visível e de grande utilidade, fazendo com que eles não percebam a sua importância. Por isso, um professor deve levar em consideração as experiências obtidas pelos alunos fora da sala de aula, e tentar utiliza-las para discutir os assuntos apontados durante as aulas, fazendo com que se possa gerar um diálogo crítico entre todos, mas preocupando-se sempre em não deixar que a aula de filosofia se transforme num debate de exposições, opiniões vazias, ou ainda cuidar para não deixar a filosofia transformar-se numa "filosofia de vida", como auto-ajuda, ou até mesmo como desabafo. O trabalho da filosofia no Ensino Médio é muito significativo, pois resulta num conjunto de conhecimentos, fundamentos do pensamento, da ação, da ética, da política, das artes, das técnicas, da história, da religião, desenvolvendo assim, um pensamento crítico no aluno por meio da vinculação entre os conhecimentos filosóficos, a cultura e as suas vivências.
Portanto, fica claro que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. E como professores de filosofia devemos estar preparados para mostrar o encontro da filosofia com todas as outras disciplinas, e não só nos preocuparmos com conteúdos, mas também com elementos interdisciplinares, com a didática e a com a pedagogia, pois nenhum professor é realmente professor se não incorporar e preocupar-se com todos esses elementos.

Referências Bibliográficas:
Freire, Paulo.PEDAGOGIA DA AUTONOMIA -Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
Cerletti, A Alejandro. Ensinar Filosofia: da pergunta filosófica à proposta Metodológica.

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