23.11.05

FILOSOFIA: POR QUE E PARA QUE?

Antes de iniciar minha exposição acerca das motivações e justificativas que legitimam o ensino de filosofia. Creio que se faz necessária, uma exposição acerca daquilo que compreendo por Filosofia.
Entendo filosofia em primeiro lugar como uma atividade, e, portanto, é algo que se faz. Em uma segunda concepção, filosofia enquanto uma ciência de fundamentos.Como atividade, é ela talvez, a mais nobre expressão da racionalidade humana. Isto se deve ao seu caráter funcional, o qual implica necessariamente em reflexão e investigação.Estas, irão se dar tanto ao nível da experiência sensível, quanto ao âmbito da investigação puramente teórica. Dessa maneira, a filosofia terá como principal função, a investigação e a análise de conceitos fundamentais acerca de problemas que pertencem a um domínio especial: o filosófico.Este domínio especial é assim chamado, pelo fato de que seus problemas não são abordados por ciência particular alguma, o que por fim, resta a filosofia ocupar-se deles. Problemas como a fundamentação do agir humano, a questão do conhecimento, a reflexão acerca da política, o fenômeno da linguagem, além de questões específicas que dizem respeito ao sentido pleno da existência do ser humano.
A filosofia permeando os vários contextos, próprios de seu domínio. Estando disposta sob a forma de um ensino diferenciado, pois não trata somente da exposição de conteúdos programáticos. Mas para, além disso, promover um a reflexão crítica sobre estes mesmos conteúdos. O que irá ajudar o aprendiz de filosofia a estimular sua capacidade investigativa e a clarificar a compreensão de conceitos que lhe são dados ou que aparentemente são obscuros. De modo que possa interpretar as significações destes conceitos. O que conseqüentemente resultará na elaboração de seus argumentos, ao mesmo tempo em que irá se instaurar uma atitude autocrítica, e, portanto, conhecimento de si.
Na medida em que se estabelece a reflexão filosófica como atividade plena de realização. Estará dada ao homem, a possibilidade de livrar-se das rédeas que o impedem de andar livremente pelos caminhos que deseja. Inserida no meio educacional, a filosofia desempenhará o papel de promotora da abertura dos caminhos necessários ao desenvolvimento de competências cognitivas. Estas virão a contribuir para o enriquecimento e a valorização do sujeito em sua vivência enquanto cidadão. O que irá contribuir para a formação de sujeitos autônomos intelectualmente, e, portanto, livres e capacitados para promover transformações. Estas sendo desenvolvidas em sua vida social e intelectual, primando por princípios de justiça, felicidade, e fraternidade entre os homens. Em ultima instância, a incansável busca pelo Bem.
Já enquanto ciência é ela um caso especial. Pois como havia dito, trata de questões das quais as ciências particulares não se ocupam. Como exemplo, posso citar o fato de a medicina abordar o homem somente sob o ponto de vista médico. O que significa que, as ciências particulares se ocupam de questões que dizem respeito ao conhecimento de dados do mundo. Isto de certa forma nos revela, a sua falta de tempo para discussões sobre sua própria natureza. Será, portanto, a partir desse ponto, que caberá a filosofia estabelecer os fundamentos que irão legitimar as afirmações sobre o mundo e sobre as próprias ciências. Sem, no entanto concorrer com estas. Será a filosofia, uma ciência das ciências, que executará as tarefas de elaboração e cuidados que deverão ser feitos para com os conceitos formulados, por estas ciências ditas particulares. Mas então, de que maneira esse caráter peculiar da filosofia poderá contribuir para a formação de um sujeito sob a forma de livre-pensador? A resposta é simples, mas, no entanto, ela não está clara aos olhos da maioria, cabe aqui esclarece-la.
A resposta a esta pergunta não é obvia, já que os resultados que se seguem do aprendizado em filosofia, não aparecem a um nível imediato. Mas sim, como o reflexo da educação para o pensar, impresso em uma vida pessoal, e por que não, profissional em um futuro próximo. Sem do que, em qualquer área de atuação, o profissional com maior chance de obtenção de sucesso, será aquele que está capacitado a resolver os problemas que lhe são postos, de maneira autônoma. O que lhe exige uma elevada capacidade reflexiva, uma atitude crítica frente às situações em que está colocado, bem como um bom uso e articulação das palavras. De modo que seus argumentos possam ter força coercitiva. Precisará este profissional, adotar uma postura ética, privar por certos valores e saber lidar com valores que se chocam contra os seus. Necessitará adotar uma atitude que o guie para a justiça e fraternidade em suas ações, promovidas em seu ambiente de trabalho e convívio social. Ao passo que, promovendo a busca de ações que sejam boas para si e para seus colegas de trabalho, e conseqüentemente para sua empresa. Afirmará o seu sucesso como profissional e sujeito que é, e, portanto, caminhará com passos firmes no caminho para a busca de sua felicidade.
Como profissional que é, tendo sido educado no âmbito da filosofia, terá uma visão ampla de um todo ordenado do qual faz parte, assim como a filosofia está para as ciências. Dessa forma, ao mesmo tempo em que se preocupa com o cumprimento de suas tarefas, como fazem as ciências particulares. Terá como complemento a visão aguçada dos problemas que poderão ser encontrados durante o percurso de seus afazeres. Assim, os verá de fora para dentro e de dentro para fora, assim como procederia um filósofo na tentativa de resolução de um problema deixado em aberto pelas ciências particulares. Portanto, é aqui que a filosofia se coaduna com vida, doando sentido ao viver humano em sua sabedoria pratica, e nas razões teóricas que conduzem nosso conhecimento em busca do bem viver.

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