5.12.05

DIDÁTICA PARA O ENSINO DE FILOSOFIA?

Nos últimos anos a questão do ensino de filosofia vinha limitando-se a luta pela sua admissão nos currículos escolares. Agora a problemática mudou de foco. Vêm-se buscando aperfeiçoar o ensino de filosofia. O interesse em resolver a questão não compete apenas aos educadores, mas principalmente aos filósofos, ou professores de filosofia. Sugiro que a questão deve ser encarada como um problema filosófico, e por isso resolvida primeiramente num campo teórico. A proposta é que se elabore uma teoria da prática de ensino (didática).
Quais as possibilidades de ensinar filosofia?
São correntes duas maneiras. A primeira é a aprendizagem centrada no professor, onde este comanda a aula. A segunda centrada no aluno, onde o professor quase não tem papel definido. A proposta de Cerletti é um meio termo entre essas duas, onde o professor é um mediador das discussões e organizador das conclusões tiradas.
Kant dizia que não se ensina filosofia, se ensina a filosofar. Cerletti propõe que não é possível nem ensinar filosofia, nem a filosofar. Assim, a única tarefa possível é despertar o interesse do aluno para o filosofar. Mas como? Entra aqui a questão da existência ou não de uma didática que ajude a cumprir tal objetivo. Isso por que, o despertar o interesse do aluno não se dá através da reprodução de conteúdos. Será possível despertar o interesse pelo filosofar se colocarmos um aluno lendo um texto e reproduzindo as informações deste? Creio que não, principalmente por que assim não se efetuará o filosofar em sala de aula.
Outra questão é como avaliar esse “despertar”? Além disso, entra a questão de como planejar essa aula que se dá com participação ativa dos alunos, fica claro que o planejamento não pode ser estático.
A didática tradicional se divide em: avaliações, técnicas, planejamento. Percebe-se então que esta concepção não cabe mais nesse repensar o ensino de filosofia. Seria necessário repensar também a didática. Mas essa reconceitualização precisa levar em conta as divisões da didática tradicional. Quero apenas sugerir que se aceite essa proposta de ensinar filosofia o planejamento da aula deve ser apenas norteador dos caminhos por onde os alunos passarão, assim como o professor. As técnicas não podem ser estáticas, visto que a aula é construída com os alunos. E a avaliação, não pode avaliar os indivíduos separados, mas enquanto gênero humano, produtor de cultura. Isso por que, esse é o objetivo da filosofia e nesse sentido ela iguala-se a todas as outras disciplinas, pois são todas produtoras de cultura, sendo que este é o diferencial da espécie humana.
Objetiva-se com essa “maneira de ver” o ensino de filosofia que o aluno desperte o interesse pelo questionamento, e que possa aplicá-lo em todas as áreas do conhecimento. E que com o despertar do interesse venha a tomada de consciência do aluno.

web site hosting count: