10.12.05

EPISTEMOLOGIA DA PRÁTICA DE ENSINAR

Sobre a palavra epistemologia entendemos, basicamente, que ela é uma disciplina que trata dos problemas cognitivos mais gerais ou básicos. Ela é conhecida, também, como Teoria do Conhecimento ou Filosofia da Ciência. Em geral ela é estudada, ou vista como a discussão de problemas mais básicos das ciências como a física, a química ou, até mesmo, a biologia. Mas no presente texto eu farei a co-relação entre Epistemologia e Educação, tendo como base o seguinte artigo de Maurice Tardif, a saber, “Saberes Profissionais e Conhecimentos Universitários”. Neste texto o autor chama de epistemologia da prática profissional o “estudo do conjunto dos saberes utilizados realmente pelos profissionais em seu espaço de trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas tarefas”. Podemos nos perguntar o porquê dos “saberes utilizados realmente” para a prática dos profissionais em sua área de conhecimento ou de seu trabalho. É isso o que discutirei no presente texto. Essa discussão sobre a Epistemologia da prática profissional tem como finalidade ter em mente esses saberes, como que eles são utilizados no dia-a-dia de um profissional. Entender como que os diversos profissionais formados anualmente põem em prática tudo o que estudaram durante anos para chegar ao mercado de trabalho um pouco mais qualificados ou com as exigências da demanda.
O enfoque que quero abordar é sobre o que consiste o trabalho, ou seja, ele é apenas um objeto estático e cristalizado? Eu digo que não. Mas se percorrermos as universidades com os olhos levemente cerrados, como quem espia por uma porta entreaberta, veremos que os profissionais responsabilizados pela formação de outros tantos profissionais estão ali; fazendo o quê? Estaguinados em seus laboratórios, em suas pesquisas, em seus gabinetes. Estes sim, com os olhos completamente cerrados para o mundo que “vive” em sua volta. E isso acaba se repetindo nos profissionais que ainda estão em formação. Pois estes acabam por se sentir atenuados diante de todo o conhecimento que “adquiriram” durante os anos “encarcerados” na universidade. E sem saber o que fazer com “tudo isso”. Falo isso com o intuito de provocar todos a uma discussão?, não. Mas para acordarmos para esta situação precária que já está passando dos limites. Por mais que raciocinamos sobre este problema e que conhecemos um pouco dos resultados disso, falo dessa forma, porque, em certa época de nossas vidas, nós somos vítimas desse sistema vicioso. Claro,nós somos alunos desses profissionais mal profissionalizados. Estes acabam adaptando, transformando ou, até mesmo, selecionando seus saberes universitários em uma linguagem menos longe das do aluno para incorporar na prática de ensino.
Mas voltando-se sobre o enfoque relacionado ao trabalho de um profissional. Agora respondo, ainda que com base no autor, que o trabalho é, na verdade, “uma atividade que se faz, e é realizando-a que os saberes são mobilizados a serem construídos”. Isso quer dizer que não podemos separar os três principais elementos para a realização dessa atividade, a saber, o “profissional”, a sua “prática” e seus “saberes”. Eu lembraria um quarto elemento, o aluno. Mas isso pode estar integrado na “prática”. Porém, mesmo assim, digo que o aluno é o membro mais importante como representante da própria sociedade. Aqui não podemos esquecer que mesmo com esses três pontos ainda podem se cristalizar se não o vermos como entidades que se “co-pertencem” e estão inseridas numa atividade na qual “co-evoluem” e se transformam. Contudo transformam também a formação daqueles que estão inseridos na dinamicidade desse trabalho. Todavia para ocorrer essa idealização da profissionalização do professor é preciso que as pesquisas universitárias sai de trás de seus muros e dirija seus olhares para os saberes (ou as práticas) dos professores do Ensino Regular, a fim de que se possa construir um repertório de conhecimentos práticos para a formação de professores. Mas isso não pode, também, ser na forma de uma “apostila bíblica” que se tenha que seguir ponto-a-ponto, como se faz com os futuros profissionais. Pois é com isso que se está acostumado nesta sociedade que está a serviço do Estado.
Se observarmos com atenção o presente texto, veremos que grande parte do conteúdo que aprendemos nos bancos universitários não têm grande serventia para a prática profissional. Pois esta prática acaba sendo um filtro que dilacera todo o conhecimento universitário. Com isso a prática de um profissional acaba por ter que se adequar às necessidades momentâneas do professor frente aos mais diversos problemas que ele encontra na sua caminhada como educador. Isso ocorre porque de um lado nós, os próprios universitários, não exigimos ou, somos passivos, nas decisões dos currículos universitários. Mas, de outro lado, as próprias disciplinas que disponibilizam uma discussão mais acirrada com a prática, podem tomar uma atitude com respeito a isso.
Não estou aqui desmerecendo ou fazendo pouco caso de alguma disciplina que faça parte da formação profissional nas instituições de ensino superior no nosso país. É claro que o interesse do futuro profissional é o que mais conta para sua própria formação e para sua carreira. Mas isso não quer dizer que as universidades não têm responsabilidade nenhuma na má formação de muitos profissionais que já estão no mercado de trabalho. Então, tem que haver um maior interesse dos futuros profissionais e uma maior disponibilização da nossa instituição, “Ensino”, para uma melhor capacitação do futuro profissional.

web site hosting count: