8.12.05

Filosofia da Ciência na Escola

Considerando a proposta do último ensaio da disciplina de Prática em filosofia, que é tomar como foco um dos tópicos do PEIES, tratarei a seguir de um assunto que vem ao encontro de meu último texto pela natureza da didática a ser empregada no seu ensino, pois, ao se falar de Filosofia da ciência, a interdisciplinaridade é de grande valia para despertar o interresse dos alunos por ela. Não só se aplica a este tópico, mas tratarei deste para seguir a proposta. Falo nisso porque, agora, o foco da Filosofia no ensino médio não é mais a sua inclusão neste, mas, a busca de uma boa teoria de prática no seu ensino. E dado que o principal aqui é o despertar do interesse do aluno por ela, devemos tomar como primeiro passo, mostrar aos alunos como a Filosofia está intimamente ligada à sua realidade. Em especial, como a Filosofia da ciência pode se tornar um assunto a ser tratado com entusiasmo dentro da sala de aula. E sob que aspectos falar de conceitos, hipóteses e teorias podem influenciar no processo de formação de uma postura teórico-crítica do aluno.

Começo fazendo uma visão geral a partir da história que considero necessária, pois, nos séculos XVI e XVII, a nova ciência provocou a maior mudança jamais ocorrida na concepção humana do universo e isso é fundamental para que o aluno comece a se situar. Dado que o objetivo da Filosofia é fazer com que os alunos assumam uma postura filosófica e que esta é, basicamente, uma postura questionadora, preocupada com a clareza conceitual, com o rigor lógico dos nossos pensamentos e com a maneira mais adequada de interpretar a realidade, a visão histórica pode contribuir muito para que se alcance este objetivo. Por exemplo, Nicolau Copérnico, ao atribuir à Terra um movimento diário em torno do seu próprio eixo e um movimento anual em torno do sol, desenvolveu uma idéia que teve profundas implicações para a ciência moderna. A Terra já não podia ser considerada o centro do universo e isso veio de encontro com o que pregava a igreja e a própria bíblia. O que mais tarde viria a ser comprovado. Esse tipo de exemplo, muitas vezes quebra as idéias pré-concebidas dos alunos, aqui se tratando principalmente da religião e a legitimidade de suas explicações. Muitas vezes ele se verá obrigado a questionar sua própria interpretação da realidade e começará a tomar uma postura crítica e questionadora.

Em Filosofia da ciência, o aluno estará diante de esclarecimentos muito importantes com relação ao seu cotidiano e aos outros. Muitas das explicações que lhe dão como “certas”, são do tipo: é verdade porque “sempre acreditamos nisso” ou porque “todo mundo sabe disso”, o que é bastante presente ainda hoje. O apelo à tradição ou a popularidade é um típico exemplo de atitude não-científica, cujas crenças são sustentadas independentemente de haver provas a seu favor. E aqui temos um papel muito importante: mostrar que em ciência a situação é bem diferente. Isso começa por mostrar como se dão as explicações científicas. Como o que inicialmente dado por mera hipótese se eleva à condição de “Teoria”, depois a “Lei”, mostrado nisso a importância das provas e os critérios usados para se julgar o valor ou aceitabilidade das hipóteses, os padrões da investigação científica, enfim, como uma simples lei que ele vê em Física chega ao status de “Lei”.

A aula é um processo dinâmico e coletivo e as aulas de filosofia cumprem seu papel mais satisfatoriamente quando os alunos colocam os seus questionamentos, e discutem entre si e com o professor. Assim mostrarão que estão aprendendo e assimilando elementos da filosofia para a sua realidade.

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