9.12.05

Modelos de Reflexão Ética: Por que e Para quê.

Este ensaio destina-se a oferecer uma sugestão, visto que pode haver outros meios de se abordar o assunto, a respeito de como fazer uma exposição sobre o tópico “2.5 Modelos de Reflexão Ética”, presente no currículo básico do PEIES[1]. Proporei um modo de introduzir e debater o tópico com vista no desenvolvimento específico de um dos níveis de exigência requeridos pelo currículo: “Considerar as conseqüências ou implicações éticas das ações humanas”.

Antes de abordar diretamente alguns modelos de reflexão no campo da ética, é interessante criar um ambiente em que seja possível introduzir o tema através de um exemplo ou situação que permita aos alunos entenderem o porquê de se estudar ética, e, antes de tudo, o que é considerado um problema ético. Para isso, sugiro inicialmente criar, dentro da aula, uma situação em que isso seja possível; utilizando os alunos no exemplo.

Um exemplo: pedir para algum dos alunos repartir um número de guloseimas (balas, chicletes, etc.) inferior ao número de total de alunos, para que, ao perceber que não poderá ser “justo”, oferecendo uma guloseima para cada aluno, o escolhido reflita: “para quem dar os poucos objetos que tenho em posse? O que devo fazer?”. Antes de tudo, por que dar uma guloseima para cada? Por que não pegar todos? Enfim, qualquer tipo de questionamento que leve em consideração sua relação com os outros colegas e as conseqüências da sua escolha.

Alguém poderia perguntar: “não é melhor introduzir diretamente um fato, um recorte de jornal ou qualquer outro material que esteja em evidência na mídia?”. É uma possibilidade. Entretanto, acredito ser melhor introduzir os estudantes no “mundo da ética” com um exemplo extremamente simples, quase banal, criado no momento, para só depois tratar algum material específico. Para que percebam que esses problemas fazem parte da vida presente deles, e que tem importância! Contudo, é importante ressaltar que o professor deve manter, ao realizar esses exercícios, certa “distância” em relação à vivência dos alunos. Não questiona-los sobre problemas ou dilemas que eles enfrentam nas suas vidas individuais. Os exemplos utilizados devem ser neutros (no sentido de não tocar em problemas pessoais), criados no momento.

O exercício introdutório colocará os alunos em dúvida quanto “ao que se deve fazer, o que seria o melhor: O que seria justo? O que é o bom naquela circunstância?” (note que o exemplo deixa de ser tão banal). Isso os preparará para o próximo passo da abordagem do tópico, que é a exposição mesma de diferentes modelos de reflexão ética. O que isso quer dizer no contexto da aula? Ora! Diferentes asserções para justificar uma resposta para o problema introduzido pelo exemplo. Ou para quaisquer outros problemas.

Neste momento começa a exposição do conteúdo da aula de Filosofia. Em relação a que material utilizar, cabe ao professor pesquisar o mais apropriado. Sugiro, através de minha preguiçosa pesquisa, uma subdivisão de problemas éticos através de diferentes épocas da história humana:

Os filósofos tentaram determinar a boa conduta segundo dois princípios fundamentais: considerando alguns tipos de conduta bons em si, ou em virtude de se adaptarem a um modelo moral concreto. O primeiro implica um valor final, ou summum bonum, desejável por si próprio, e não apenas como um meio de chegar a um fim. Na história da ética, há três modelos principais de conduta: a felicidade ou prazer; o dever, virtude ou obrigação; e a perfeição, que é o completo desenvolvimento das potencialidades humanas. Dependendo do que estabelece a sociedade, a autoridade invocada para uma boa conduta pode ser a vontade de uma divindade, o modelo da natureza ou o domínio da razão.[2]

A partir daí, expor pensamentos éticos referentes aos modos de conduta presentes na citação. A referencia feita a cada filósofo deve ser feita especificadamente em relação aos problemas que estão sendo abordados na aula; ou seja, não explicar um sistema filosófico por inteiro, mas utilizar elementos dos sistemas filosóficos que auxiliem no aprimoramento do debate. “Dependendo do que estabelece a sociedade, a autoridade invocada para uma boa conduta pode ser a vontade de uma divindade, o modelo da natureza ou o domínio da razão”: sugiro que a escolha dos autores seja feita baseando-se nessa referência. Não entrarei em discussão sobre quais autores seria melhor abordar, devido a não ser esse o objetivo do ensaio.

Entretanto, primeiramente eu faria referência a Platão e Aristóteles. O summum bonum exposto por Platão seria o ideal de conduta moral a ser buscado. Retomando nosso exemplo, o aluno poderia pensar a partir daí: “O Bom é ter guloseimas para todos. Só assim o bem (universal e necessário) será alcançado”. Em relação a Aristóteles, poderia dizer: “Várias vezes a experiência mostrou-me que o melhor seria distribuir as guloseimas apenas quando eu tivesse para todos”; a idéia de hábito seria incutida aqui. São exemplos simples, mas creio que expressam, de maneira simples, a idéia dos filósofos. Acredito que é mais útil para os alunos do Ensino Médio adquirirem estes pequenos elementos dos pensamentos dos filósofos do que entender o sistema de cada um. Abordaria também aspectos da ética cristã e dos modernos, para possibilitar que os alunos pensassem o exemplo na perspectiva de cada época.

É certo que é possível utilizar elementos ou exemplos da História, Geografia humana e da Literatura para aprimorar a discussão. Entretanto, isso é tema para uma pesquisa mais aprofundada; não para uma investigação preguiçosa como a minha.

Acredito que este modo de expor o tópico no Ensino Médio seja satisfatório para os alunos. O objetivo principal não é compreender os autores que forem citados e seus sistemas filosóficos, mas perceber que há variedade no pensamento ético - inclusive nos problemas éticos dos alunos. Mostrar-lhes que não há uma resposta definida para várias perguntas “banais”. Incitar-lhes a necessidade de refletir sobre suas ações, sobre suas relações com os outros. Enfim, considerar as conseqüências ou implicações éticas das ações humanas. Claro que não possuo experiência no lidar com alunos, talvez isso dificulte minha visão. O que não quer dizer que eu não pense em como desenvolver uma aula de filosofia satisfatória. Afinal, serei professor: mais cedo, ou mais tarde.





[1] Currículo Básico do PEIES (volume 6, 2004). Tópico referente à disciplina de Filosofia.

[2] "Ética”. Enciclopédia® Microsoft® Encarta 2001. © 1993-2000 Microsoft Corporation. Todos os direitos reservados.


1 Comments:

Blogger newton said...

OBS.: PODE HAVER ÉTICA SEM JUSTIÇA E VICE-VERSA, É BOM LEMBRAR DISSO QUANDO PRETENDER COLOCAR OS ALUNOS EM UMA SITUAÇÃO CARACTERISTICAMENTE ÉTICA.

terça-feira, dezembro 13, 2005 5:48:00 PM  

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