9.12.05

Ser e dever-ser: o problema das normas

O presente ensaio ter por objetivo formular uma possível abordagem acerca do tópico ser e dever-ser. Primeiramente gostaria de expor os passos os quais parecem fundamentais no processo de ensino-aprendizagem, e de frisar que os mesmos se dão de forma concatenada, não são, portanto, passos num sentido estrito. A primeira tarefa do professor é criar um ambiente de acolhimento no qual o aluno sinta-se de tal forma seguro em relação aos outros que possa voltar-se plenamente e conforme as suas limitações à atividade de cognição. Num segundo momento, que se refere mais propriamente aos conteúdos, se deve fazer a introdução dos mesmos de forma que o aluno consiga visualizá-lo em conexão com fatos cotidianos de sua vivência, de modo a integrar a sua historicidade com o objeto de investigação. Dado esse segundo passo, no qual através de exemplos, o professor cria o instrumentário necessário para o aluno compreender determinado tópico, o terceiro passo, diz respeito à formulação e revisão conceitual a partir do raciocínio construído no exemplo. Essa etapa é o momento no qual o aluno deve assimilar as estruturas próprias à problemática em relação a seu objeto. Após esse momento de assimilação das regras, leis e regramentos próprios a um tema, o aluno disporá do mecanismo apropriado para a aplicação desse conhecimento construído ou adquirido a atividades práticas ou a situações hipotéticas. Tal modelo brevemente apresentado parece de grande valia na medida em que pode fornecer um parâmetro no processo de formulação e organização de uma aula. E é a partir do mesmo que vou esboçar uma aula sobre o tópico já citado.
A estratégia argumentativa tem de centrar-se num primeiro momento na busca pelo interesse do aluno, e a forma pelo que me parece mais adequada de faze-lo é apartir do ponto dois acima mencionado. E exemplos referidos ao tópico ser e dever-ser são abundamentes, seria interessante apresentar exemplos de juízos de ser e de dever-ser e mostrar onde reside a distinção do mesmo apartir de exemplos banais até num momento posterior, exemplos de maior complexidade.
Basicamente essa seria a estrutura da argumentação:
As leis se dividem em: Físicas ou Naturais (leis da natureza) e Culturais (das normas e dos costumes).
As leis culturais se dividem em: Sociológicas, históricas, econômicas e em Normas Éticas. Sendo as últimas de natureza normativa, religiosa, de trato social ou jurídicas.
Para fazer melhor a caracterização dos tipos de leis, e por consequência do que define o ser e o dever-ser, far-se-á a inclusão da noção de juízos de valor e juízos de fato. Os juízos de fato são juízos acerca do mundo da natureza, explicam os fatos, por exemplo, "A terra é redonda" é um juízo de fato, que tem por objetivo explicar como e porquê a coisa chamada terra é. Em contrapartida, os juízos de valor são juízos próprios do mundo da cultura, eles dão uma interpretação aos fatos, por exemplo: “A chuva é boa”, sendo os mesmo feitos a partir dos juízos de fato e da forma com que o homem se relaciona com a natureza. Os juízos de valor éticos expressam um dever porque se reconheceu antes a existência de um valor, ou seja, os juízos éticos fundam mandamentos morais na medida em que se reconhece que determinada ação que visa determinado fim é boa ou má, ou seja ainda, se é moralmente errado mentir em determinadas circunstâncias instituí-se a norma de que mentir é errado. E é nessa medida em que fundam pelo valor o compromisso moral.
Após tal explanação (e se dado o suposto envolvimento e compreensão dos alunos), seria interessante a introdução de tópicos e questões de um caráter mais elevado intelectualmente, como o perguntar-se, por exemplo, "Em que medida podem ou é legítimo os nossos valores morais e religiosos fundarem deveres que vão de afronta com uma certa concepção científica do mundo?". São várias as indagações possíveis de serem levantadas dado esses passos primeiros.
Acredito que embora vil e mal acabado e desenvolvido, meu esboço pode ter seu valor ao passo que suscita certos pontos importantes sobre a aula e seu planejamento.

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